Alerta para os Pais,por audiência, jovens exibem corpo na web
Noite de segunda-feira, 25 de julho. Sentada na frente da webcam, uma adolescente lê em voz alta a quantidade de pessoas que assistem ao vivo à transmissão: Ela mostra um sorriso meio nervoso e adverte: “Só vou deixar ela fazer se ficar acima de mil.” O número se estabiliza e, de repente, uma outra menina – também de traços infantis – aparece seminua num canto da tela, mostrando os seios e a calcinha enquanto dança funk em poses sensuais.A cena não é caso isolado no universo dos adolescentes brasileiros. A moda de se exibir em câmeras na internet vem crescendo entre os jovens. Grande parte dos pais não sabe disso. Todas as noites é possível encontrar dezenas de câmeras transmitindo ao vivo cenas de adolescentes que, sem serem forçadas ou ganhar algo por isso, mostram o corpo em troca de audiência.O programa usado para as transmissões é o Twitcam – software integrado ao Twitter, no qual os usuários podem acompanhar o número de pessoas que assistem à transmissão e os comentários feitos na rede. Assim, a interação ocorre em tempo real – e não são raras as coações de conotação sexual mesmo quando os jovens do vídeo afirmam ter menos de 14 anos.Entre as práticas mais comuns há a promessa de tirar uma parte da roupa quando os espectadores ultrapassarem um certo número. Há até comunidades no Orkut que listam os endereços eletrônicos de transmissões dos adolescentes e incitam outros visitantes a acessarem os links para aumentar a audiência. Os mesmos grupos chegam a divulgar regras básicas para os voyeurs – como, por exemplo, não constranger as meninas para não assustá-las ou xingar quem está tirando a roupa muito devagar.Na semana passada, um caso desse tipo teve repercussão nacional, mas é apenas a ponta do iceberg. Dois adolescentes gaúchos foram apreendidos após se masturbarem diante da câmera do computador. Os pais, que não sabiam de nada, ficaram boquiabertos. Os jovens estão sujeitos a cumprir medida socioeducativa. O Ministério Público Federal prometeu ir atrás de todos que baixaram as imagens.A situação é tão nova que as próprias autoridades não sabem como combatê-la. O MPF agiu no caso do Rio Grande do Sul por causa da repercussão, mas reconheceu que não fazia ideia de que essa prática de autoexibição fosse tão comum.