Universitárias ricas do PR ganham bolsa do ProUni
Segundo a repórter Renata Cafardo, que passou duas semanas em Maringá para investigar a denúncia, o Ministério da Educação (MEC) informou que Milena Colombari recebe a bolsa desde 2005, quando fazia Biomedicina na mesma universidade e que, em 2008, mudou para Medicina e continuou estudando sem pagar nada. A estudante mora com os pais e irmãos em uma casa com piscina. O pai dela é dono de um bufê e cobra para a realização de uma festa de quatro horas com 200 convidados, R$ 7 mil, valor superior a dois meses de faculdade da filha. Em entrevista ao Fantástico, Milena afirmou que acha justo receber o benefício. "Esse ano até a gente passou por certas dificuldades. Nem viagem pra praia a gente não foi. Antes era comum de ir", disse Milena.
As regras para receber o ProUni são rígidas, mas nos três casos denunciados parecem não terem sido cumpridas. Para ter direito, o aluno precisa ter cursado o ensino médio em escola pública ou ter sido bolsista integral em colégio particular e ainda comprovar que a renda mensal familiar, por pessoa, não passa de um salário mínimo e meio: R$ 765.
Já Camila Colombari Medeiros vive num sobrado com a mãe e uma irmã e, segundo o MEC, começou a receber bolsa em 2008 para cursar Medicina. A reportagem flagrou a estudante indo para a faculdade com um carro zero quilômetro que custa no mínimo R$ 40 mil. A estudante se esquivou da repórter, dizendo estar atrasada para ir ao médico e que o carro foi presente do pai.
A terceira acusada Belisa Stival estuda desde 2008 sem pagar nada. O Fantástico conseguiu levantar que apesar dela andar de carro popular, seu pai circula em um carro novo, avaliado em R$ 50 mil. Ela também mora com a família em um bairro nobre em um sobrado.
Juntas, as três universitárias receberam da ProUni R$ 300 mil em mensalidades desde 2008. Segundo apurou a reportagem do Fantástico, as três têm parentes em cargos importantes da Uningá. Vale ressaltar que a indicação para receber a bolsa do ProUni é uma decisão da instituição que repassa a lista dos indicados ao MEC.
Belisa é filha do diretor de ensino da Uningá, Ney Stival e Camila é filha da coordenadora de cursos profissionalizantes, Vânea Colombari, e Milena é sobrinha de Vânea.
O diretor da Uningá disse a reportagem que a documentação apresentada pelas bolsistas atendia aos requisitos do MEC.