Nenhum policial será punido pela morte de Jean Charles
Comissão Independente de Queixas da Polícia (IPCC) do Reino Unido indicou nesta sexta (2) que nenhum policial será punido pela morte de Jean Charles de Menezes. O brasileiro foi vítima de um erro policial semanas após os atentados no sistema de transporte que mataram 55 pessoas em Londres, em julho de 2005.
A Comissão informou aos advogados que representam a família de Jean Charles de Menezes que "se aterá à sua decisão de recomendar ações disciplinares contra os agentes de polícia envolvidos no tiroteio fatal" que custou a vida do brasileiro em julho de 2005, anunciou um porta-voz do IPCC. O brasileiro foi atingido por agentes da Scotland Yard.
Confundido com terrorista
O eletrecista mineiro Jean Charles de Menezes foi morto por policiais britânicos em Londres no dia 22 de julho de 2005. Ele foi atingido com sete tiros na cabeça, na estação Stockwell do metrô, após ser confundido com o terrorista Hussain Osman.
O incidente aconteceu um dia após um ataque a bomba frustado em uma outra estação do metrô da cidade e duas semanas depois dos atentados de sete de julho. Na ocasião, homens-bomba explodiram dentro de vagões do metrô e num ônibus, deixando 55 mortos e cerca de 700 feridos. O ataque feito por fundamentalistas islâmicos chocou a cidade e o mundo.
A morte de Jean Charles também causou comoção na Inglaterra. A investigação do caso ficou a cargo da Comissão Independente de Queixas da Polícia e o caso ganhou grande repercussão na imprensa britânica porque muitas informações foram mantidas em segredo. O chefe da London Metropolitan Police, Sir Ian Blair, não aguentou a pressão e teve de renunciar ao cargo.
Em 2009 a história do brasileiro foi às telas do cinema. O ator Selton Mello fez o papel do eletrecista no filme Jean Charles, do diretor Henrique Goldman, que estreiou em junho deste ano. A tragédia ainda inspirou a música We're All Criminals Now (somos todos criminosos agora, em tradução livre), da dupla britânica Pet Shop Boys.